Negociações com a Aracruz/Fibria
Papeleiros rejeitam novamente proposta
de Acordo da Aracruz/Fibria
Derrotada mais uma vez pelos seus empregados, a proposta de Acordo Coletivo de Trabalho - que mais retira do que dá aos trabalhadores - foi recusada por 313 votos contra 220 e um voto nulo.
Resistência. Essa é a palavra que prevalece entre os empregados da Fibria (ex- Aracruz Celulose). A empresa bem que tentou impor sua vontade de reduzir direitos, mas não conseguiu. Fez reuniões, ameaças de demissão e até listas com mais de 300 assinaturas de trabalhadores. Porém, o resultado do assédio moral e interferência na ação sindical foi o chamado "tiro no pé". Quanto mais pressão, menos os trabalhadores vão avalizar que a empresa tire direitos que vigoram por mais de 32 anos.
A apuração dos votos secretos foi feita às zero hora do dia 19/02, depois que os trabalhadores do turno (última letra a ser consultada) votaram. A Fibria mandou três representantes do setor de Relações Trabalhistas para fiscalizar a contagem dos votos. Diante da presenças das colegas, os trabalhadores decidiram que elas fizessem a apuração, evitando assim qualquer desgaste.
Por volta das 2 horas da madrugada, o resultado foi anunciado e o Sinticel vai enviar oficio à direção da Fibria informando a decisão dos trabalhadores que, por duas vezes, recusaram a mesma proposta da empresa. Segundo o presidente do Sinticel, Artur Duarte Branco, o desejo dos trabalhadores é que a Fibria volte atrás em sua proposta e desista de reduzir os direitos em troca de uma indenização compensatória de R$ 2 mil.
Os papeleiros recusaram:
Reajuste - De 5,73% nos salários, auxílio creche e piso. (inflação do período = 4,18% + 1,48% de ganho real). Cesta básica - De R$ 119,00 por mês. Hoje é R$ 112,50. Auxílio creche - Era 24 meses e a empresa estende para 36 meses. Abono de R$ 1 mil - Remuneração que não incide nas férias, no 13º salário e aposentadoria. Indenização compensatória - De R$ 2 mil em troca do plano de saúde e seguro de vida integrais e redução do abono de férias. Reduzir o abono de férias - De 40% para 33,33%. Seguro de vida coparticipativo - O trabalhador teria que pagar 25% do seguro. Antes, a empresa pagava tudo. Plano de saúde coparticipativo - A empresa quer que o empregado pague 25% nas consultas e 20% nos exames. O desconto total é limitado a 5% do salário. Se o empregado gastar mais, a empresa cobraria nos salários dos meses subsequentes.
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