Papeleiros recusam R$ 2 mil de
indenização em troca de direitos
Trabalhadores da Aracruz/Fibria recusaram a proposta de acordo coletivo de trabalho, em que a empresa oferece R$ 2 mil de indenização para reduzir os benefícios do plano de saúde, abono de férias e seguro de vida.
Nesta terça-feira (12), às 15 horas, no clube da Orla, em Coqueiral de Aracruz, haverá a 6ª reunião de negociação coletiva entre o sindicato dos papeleiros (Sinticel) e a Fibria. Os trabalhadores não descartam uma greve para preservar os direitos conquistados, caso a empresa não recue da intenção.
Nas assembleias de avaliação da proposta, 75% dos empregados da Aracruz/Fibria manifestaram, através de voto secreto, interesse em manter as garantias do atual acordo e recusaram o abono compensatório. O sindicato já havia feito isso na mesa, mas a empresa aposta na decisão dos empregados. “Foi um tiro no pé. A maioria dos trabalhadores quer respeito por parte da nova gigante da celulose, pois não são responsáveis pelos prejuízos com a jogatina financeira dos derivativos” destacou Joaquim Artur Duarte Branco, presidente do Sinticel.
Uma nova reunião foi marcada para terça-feira e os trabalhadores esperam voltar à mesa de negociação e retomar o processo de discussão, já que a data-base, 1º de novembro, foi garantida somente até o dia 15/01. “E para não se configurar um impasse, seria razoável que a empresa voltasse atrás e retirasse da proposta a idéia de reduzir os direitos adquiridos”, disse Artur
O que a empresa dá e quer retirar em troca.
Essa proposta foi recusada
Reajuste |
De 5,73% nos salários, auxílio creche e piso. A perda salarial é de mais de 14%. Portanto, não chega perto do que os salários precisam para recompor o poder de compra. Nos últimos 15 anos, os papeleiros na Aracruz perderam 11,5 salários de massa salarial. Um ano de trabalho praticamente. |
Cesta básica |
De R$ 119,00. Hoje é R$ 112,50. Aumento de R$6,50. |
Auxílio creche |
Era 24 meses e a empresa estende para 36 meses. |
Abono de R$ 1 mil |
Uma vez só. Remuneração que não incide nas férias, no 13º salário e nem na aposentadoria. |
Indenização compensatória |
De R$ 2 mil pelas perdas com a co-participação no plano de saúde, seguro de vida e redução do abono de férias. |
Reduzir o abono de férias |
De 40% para 33,33%. Quer pagar somente o que manda a lei |
Seguro de Vida |
O trabalhador teria que pagar 25% do seguro. Antes a empresa pagava tudo. |
Plano de saúde |
A empresa quer que o empregado pague 25% nas consultas e 20% nos exames. O desconto total é limitado a 5% do salário. Se o empregado gastar mais, a empresa cobraria nos salários dos meses subsequentes. |
Veja o que os papeleiros já perderam
com a fusão dos impérios Aracruz x VCP
- 150 postos de trabalho com a demissão de 150 trabalhadores, em março de 2009
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- Fim da gratificação em dinheiro para os empregados com 10 anos e acima de trabalho na Aracruz/Fibria.
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- Eliminação do ônibus do turno de Vitória, prejudicando centenas de trabalhadores
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- Fim da festa de fim do ano para os trabalhadores. Acabou a confraternização
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- Fim da festa dos veteranos.
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- Fim da ARUS (plano de aposentadoria privada)
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- Fim da aposentadoria vitalícia, em caso de acidente e invalidez permanente.
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